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Um ano do 7 a 1! E foi pouco mesmo!

“Klose sai cara a cara com o goleiro brasileiro e chuta forte. Bruno cresce na frente do artilheiro alemão, pula para a direita e faz uma defesaça! O camisa 1 sai jogando com Daniel Alves na direita, que toca para Miranda mais atrás. Miranda abre para Marcelo, que passa no meio para Ganso.

Ganso, experiente após a eliminação em 2010 e um dos principais jogadores do Milan, toca em Neymar. Neymar tenta passar por Lahm, mas recua para Ronaldinho. Ronaldinho dá um drible desconcertante em Schweinsteiger e faz um lançamento magistral para Adriano. O Imperador ganha de Boateng e chuta forte no ângulo esquerdo do Neuer! Indefensável! 1 a 0!

No segundo tempo, pressão alemã, mas Miranda e Thiago Silva desarmam a maioria dos ataques. Quando falham, Bruno faz dois milagres e salva a seleção brasileira. Esperto, nosso técnico de ponta, moderno, muda o time de acordo com o que treinou a semana inteira. Para explorar os contra-ataques, aposta na dupla Kaká e Robinho, ambos em grande fase na Europa. E dá certo! O 2 a 0 vem com naturalidade e o Brasil vai ao Maracanã disputar a final da Copa do Mundo em casa pela segunda vez em sua História!”

A crônica utópica sobre o Brasil x Alemanha do dia 08/07/2014 serve para mostrar os dois principais pontos, a meu ver, do fatídico 7 a 1. O primeiro: nossa seleção tem um “abismo de gerações” e obriga jovens a serem protagonistas. Bruno foi preso. Adriano desistiu do futebol. Ronaldinho quase. Kaká e Robinho caíram vertiginosamente. Da “nova geração”, Neymar e Ganso não foram levados para a Copa de 2010 para pegar experiência (basta lembrar que Dunga levou nomes como Kléberson e Grafite para o absurdo aumentar ainda mais) e o segundo parece ter ficado só na promessa de craque…

O segundo: não tínhamos um técnico de ponta, um esquema de ponta, uma proposta de jogo de ponta, de protagonista. Fomos atrasados para a Copa. Não levamos o que tínhamos de melhor para comandar. A vez era do Tite, ou até mesmo de um estrangeiro (Daniel Alves revelou que Pep Guardiola queria ser o técnico e não foi aceito!), mas jamais de Felipão, que tinha acabado de sair de um Palmeiras quase rebaixado (o alviverde acabou rebaixado de fato, mas já sem o técnico).

Soma-se a tudo isso uma seleção fraca mentalmente, despreparada para enfrentar a pressão de jogar em casa e o “fantasma de 50”. Soma-se também o “comportamento David Luiz”: selfies, línguas para fora… mesmo após a derrota! Esses caras tinham que ter vergonha do que fizeram, não encarar como “vida que segue”. Não é vida que segue! O Brasil virou chacota mundial! Em tempo: nada contra esse comportamento extracampo, mesmo! Acho que é normal nos tempos atuais! Desde que em campo se jogue bola e se vença os jogos! Foi exatamente o que a Alemanha fez durante a Copa no Brasil. Eles curtiram muito e ainda foram campeões!

Mas, dito tudo isso, a Seleção Brasileira pentacampeã do mundo NÃO PODIA tomar de sete da Alemanha em casa. Simplesmente não podia. SETE é demais. Podia perder, tomar até um 3 a 0 com olé, mas 7, S-E-T-E, cara! SETE não podia tomar! É vergonhoso, ultrajante, desrespeitoso com a história do país que, queiram ou não, passa muito pela relação com o futebol.

Concordo com os que dizem que o 7×1 não é reflexo de todos os problemas internos do nosso futebol. Mesmo pro lado positivo, em caso de título, a Seleção não é parâmetro para o futebol disputado aqui no Brasil. Ou alguém acha que o futebol no Brasil era de elite em 2002? Que a CBF, as competições, os clubes, as divisões de base, tudo isso era mais organizado? A seleção é formada em maioria por jogadores que estão há anos na Europa e a Copa é uma competição de tiro curto, são só sete jogos.

No entanto, o 7 a 1 é um marco. Era a “desculpa perfeita” para mudarmos tudo o que sempre quisemos e não podíamos. Era a hora exata para parar, pensar, reavaliar o nosso caminho. Era a hora de buscar aprender, de voltarmos a ter humildade de quem precisa se aperfeiçoar. Um ano depois, nada disso foi feito. Pelo contrário! Minimizaram o 7 a 1 dizendo que foi “um apagão”. No máximo, saímos atirando para todos os lados sem saber ao certo o que combatemos. E quem dirige o nosso futebol parece ser pior, pois não atira para lado nenhum (o que é Dunga como técnico hoje?).

Um ano depois do fatídico oito de julho no Mineirão, só tenho a lamentar por perdermos desde então uma ótima chance de mudança. Goool da Alemanha! O 7×1 foi muito pouco mesmo!

Foto em Destaque: Gabriel Bouys | AFP | Getty Images | Retirado de: Glamurama

Greg

Carioca, mangueirense, jornalista formado pela ECO-UFRJ.

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