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Sociedade do futuro

Século XXI?

Nos últimos anos, regredimos séculos no debate público no país. Explico: alguns assuntos eram “superados”, fatos concretos sem discussão há alguns anos. Hoje, não mais.

Por exemplo: o Nazismo; a Ditadura Militar; o aquecimento global. Lembro que nos meus tempos de escola, todos eram consenso. Estudava-se o que levou a eles, as causas e consequências de cada um desses fatos, mas não havia dúvidas em relação aos eventos em si. O Nazismo foi um movimento de extrema-direita. A Ditadura Militar não só existiu como houve os “anos de chumbo”, pessoas foram torturadas, mortas, desapareceram. Havia censura. As próprias Forças Armadas reconhecem o período como de “atos de exceção” e defendem intransigentemente a democracia nos dias atuais (o mais perto de uma “mea-culpa institucional” possível). O aquecimento global, resultado das ações do homem nos últimos dois séculos, leva a mudanças climáticas cada vez mais preocupantes – frios ou calores intensos, tempestades, aumento do nível dos mares, escassez de água potável, perda da biodiversidade mundial, etc.

No Brasil dos últimos anos, regredimos séculos nesses debates. No mínimo, meio século, uns 40 anos. Nega-se as questões ambientais, questiona-se a origem do Nazismo e comemora-se um período de cassação de direitos da população e torturas.

Em outros debates, regredimos mais de meio século. Como os que defendem que a Terra é plana! Isso ignora todas as regras possíveis em que nossa Engenharia de mundo é baseada; sem falar claro nas agências espaciais, os aviões, enfim… não preciso explicar, né?

Todos esses exemplos mostram o quanto estamos longe dos debates reais do século XXI. 2019, gente! Acordem!

O livro “Medo – Trump na Casa Branca” mostra em determinado momento que um dos principais medos dos EUA hoje em dia não é só com armas nucleares, mas um ataque cibernético que paralisaria o país. Algo como um único clique direto da China, da Rússia ou da Coreia do Norte que levasse ao colapso de uma cidade inteira como Nova York, Washington ou Los Angeles – ou todas ao mesmo tempo -, afinal tudo hoje é online. Um colapso geral dos serviços das metrópoles (como o sistema de energia, de água, de transportes e de comunicações) é talvez o maior medo americano hoje, e eles estão debatendo como se proteger disso.

Uma outra preocupação mundial é se/quando chegaremos com uma missão tripulada em Marte. Se há vida fora da Terra. Ou como reorganizar a mão de obra mundial já que máquinas e robôs vão cada vez mais fazer os trabalhos braçais, fortes, de repetição… onde estarão as novas oportunidades de emprego para uma massa gigante de trabalhadores? Eles serão cada vez mais exigidos por quesitos como criatividade, pensamento, enfim, tudo aquilo que nos diferencia como humanos e menos por nossa capacidade física. Como educar os novos humanos do século XXI para esse mundo?

Ou como as cidades vão se organizar com carros autônomos? Que regras podem ser aplicadas para esse meio de transporte?
Como melhorar a mobilidade urbana e ao mesmo tempo o meio-ambiente? Quais mudanças podemos fazer na nossa alimentação – e em toda a cadeia produtiva de alimentos – para evitar ou reduzir o aquecimento global e os efeitos de um mundo superpopuloso? Como limpar os oceanos? Como garantir qualidade de vida para populações que cada vez vivem mais? Como lidar com um mundo sem privacidade? Como fugir de um controle total de nossas vidas por empresas privadas?

ESSAS são questões do século XXI.

É isso que o mundo moderno e desenvolvido está debatendo. É para isso que precisamos avançar. Nos EUA, estão produzindo carne sem usar animais – olha só que incrível a Memphis Meats! Ou alimentos que parecem de carne, mas são de origem vegetal – a Beyond Meat é um ótimo exemplo!

Enquanto isso, no Brasil… ah, Brasil! Você tem todo o direito de ser de direita ou de esquerda; o pluralismo ideológico é mais do que saudável. Mas você não tem o direito de ser boçal. Tentar reescrever a História, negar a Ciência… não seja isso, Brasil! Seja grande! Olhe, planeje-se e prepare-se para o futuro. Seja vanguarda. Até mesmo por uma questão de sobrevivência!

Marco Antonio Villa na rádio Jovem Pan; sobre “fatos superados”.

Imagem em destaque: Autor desconhecido | Imperial College Business School

Greg

Greg

Carioca, mangueirense, jornalista formado pela ECO-UFRJ.

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