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Forte dos Reis Magos - Natal

Se o destino é incerto, aproveite o caminho

2018 foi um ano de muitos aprendizados. E chega ao fim com todos nós com mais dúvidas do que certezas. O que será de nós, afinal, em 2019? Particularmente, o que levo de 2018 é o velho clichê “aproveite o caminho”, “enjoy the ride”.

Imagine a sua vida como uma estrada que sai de uma praia para outra, passando por diversas cidades, florestas, montanhas, desertos, planícies… e cada ano como um pequeno trecho dessa caminhada maior. Você imagina que naquele pedaço de 365 passos você vai sair de tal ponto e chegar num outro determinado ao final daquela trilha. Você estuda, analisa, planeja aquele percurso. Se é um trecho de montanha, separa a mochila, roupa de escalada, leva água. Se é um trecho de litoral, uma bolsa leve, chinelo e protetor solar resolvem. Enfim… esses são os anos e as nossas previsões, desejos, planejamentos, metas anuais, etc.

Agora imagine que você começa caminhando na direção da montanha, mas a trilha tem bifurcações. Você escolhe uma, logo depois aparece outra, e mais outra… você caminha para um destino esperado, mas sua direção muda ao longo do percurso, depois muda de novo e de novo, volta, avança. Em vez de ir na direção da montanha, você passou pelo litoral, saiu, entrou na floresta densa, numa trilha mais leve, explorou uma nova cidade, saiu no meio do deserto, voltou para a praia. E o seu planejamento inicial era simplesmente passar por um pequeno trecho de montanha. Pois essa é a vida real. O seu ano de verdade.

2018 mostrou exatamente isso. Você pode (e deve) se planejar para um determinado trecho da caminhada maior. Mas é bom estar preparado para se encantar e se virar em todos os caminhos que vão surgir ao longo da travessia de 365 passos, porque ela não vai ser aquela trilha linear que você imaginou. Mais do que isso, 2018 mostrou – e aqui você pode pensar no âmbito pessoal, ou no da cidade, do país ou até mesmo do mundo contemporâneo – que nós talvez nem mesmo saibamos se ao final da caminhada completa chegaremos numa praia. Será que vamos parar numa floresta? E além: será que queremos chegar numa outra praia ao final? E se preferirmos uma megalópole, por exemplo? Para onde queremos ir? Para onde estamos indo, afinal?

A verdade é que entramos em 2019 sem essas respostas (talvez nunca as tenhamos, mas entramos no novo ano mais distantes delas do que já estivemos). E, ao mesmo tempo em que as procuramos, estamos indo. Andando. Caminhando. Nessa nossa trilha de praia a praia não existe ficar parado, não fazer nada já é fazer algo e “camarão que dorme a onda leva“. A vida é assim também. “O sol vai nascer”, querendo ou não. Você vai estar indo. Vai estar andando. Os dias e os meses de 2019 vão passar até que a gente chegue no novo trecho da caminhada – a “trilha 2020”.

2018 foi um ano difícil. De muitos caminhos tortuosos. Descobrir e sempre buscar o aprendizado de cada parte e olhar o lado positivo foi e é sempre o desafio. Assim, o ano serviu para mostrar que sim, você consegue. Na hora que precisar ser forte, você vai ser. E você consegue sozinho. Mas não precisa. Sim, eu também aprendi que não é porque você consegue encarar sozinho que você precisa querer se provar forte assim. Se quiser, tudo bem. Mas tudo bem também se não quiser. Não há mal nenhum em não querer passar pelo caminho só com os próprios pés. Você não é mais fraco por isso. Entenda que o seu caminho é só seu, valorize-o. Valorize-se. Mas pode trazer gente para te ajudar a andar, sim.

2018 serviu também para caírem máscaras. Para mostrar “quem está nas trincheiras ao seu lado”. Quem vai indo no caminho com você. Ninguém solta a mão de ninguém, lembra? Isso importa mais do que o próprio caminho.

Adaptado do Ernest Hemingway

2018 serviu para mostrar que não há verdades absolutas e que nada precisa ser definitivo nem passageiro, depende da energia que você quer gastar e com quem. Lembra daquele conhecido ou até mesmo parente que não esteve do seu lado? Nem eu! Não seria justo com quem esteve com você que agora você dedique tempo e alguns dos seus 365 passos com quem não mereceu. Não seria justo com você mesmo, com seu próprio tempo, com o seu próprio caminho.

Ao mesmo tempo, tem as pessoas que sempre estiveram ali. E as que tinham se afastado pelo caminho, se reaproximaram em algum momento e que valem ser trazidas para perto de novo. São essas – as que sempre estiveram e as que se reaproximaram – as pessoas que você valoriza e luta junto. As que você de fato gosta. As que te ajudaram em algum dos seus 365 passos na “trilha 2018”, seja de que forma tenha sido – com um ombro, um sorriso, uma noite, uma conversa, um olhar, uma descoberta, uma companhia, um conselho, uma indicação de livro ou filme, uma lembrança, enfim… quem viveu o caminho com você. Cada um do seu jeito próprio, do jeito que sabe fazer, ou da forma como foi possível ser naquela hora. Esses são os que valem. À esses, agradeça e traga perto, junto, no caminho. E esteja presente nos caminhos deles. Eles vão te ajudar a se encantar com as paisagens e a superar as curvas, subidas e buracos da trilha. Porque você sempre precisa dar mais um dos 365 passos da trilha, mesmo que não saiba para onde aquele passo está te levando.

Então aproveite o seu novo caminho! Feliz 2019! Feliz Ano Novo!

“Como será o amanhã? Responda quem puder! O que irá me acontecer? O meu destino será como Deus quiser!”

Samba “O Amanhã” – União da Ilha – 1978

Foto em destaque: acervo pessoal (Natal, 2018).

Greg

Greg

Carioca, mangueirense, jornalista formado pela ECO-UFRJ.

One thought to “Se o destino é incerto, aproveite o caminho”

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