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Páscoa em tempos de pandemia e quarentena

Teve quem achou triste ver a Praça de São Pedro, no Vaticano, vazia durante a bênção “Urbi et Orbi” e as celebrações da Páscoa. Outros, compararam as imagens reais transmitidas com aquelas cenas de filme de “fim de mundo”. Eu achei de uma beleza histórica! Explico:

Nesses tempos atuais de pandemia do novo coronavírus, ficar em casa significa salvar vidas. Não só as nossas próprias ao não nos contaminarmos, como a de amigos e parentes próximos para quem poderíamos passar o vírus e até mesmo de desconhecidos.

Sobre os desconhecidos é que gostaria de falar um pouco mais… é mais “fácil”, para nós, como humanos, fazermos sacrifícios quando a situação envolve as nossas próprias vidas ou daqueles diretamente envolvidos conosco. A empatia é mais direta, mais visível, mais “sensível”. É natural nos preocuparmos mais com aquilo que nos afeta diretamente, com aquilo ou aqueles com que nos relacionamos mais proximamente. No entanto, hoje, não se contaminar significa também não ocupar um escasso leito de hospital, não usar recursos médicos já em falta, ou seja, deixar essa oportunidade de recuperação para alguma outra pessoa – para algum desconhecido.

Nesse sentido, não poderia haver maior demonstração de amor aos outros do que ficar em casa. Não à toa, diferentemente de outros “pseudo-doutores da Lei e da Fé” que tentaram postergar ao máximo o fechamento de seus templos, o Vaticano desde o início proibiu as aglomerações e impediu a presença de fiéis na Praça de São Pedro.

Praça de São Pedro vazia durante a bênção “Urbi et Orbi”. Foto: Reuters

No meio da vastidão de uma Praça de São Pedro visualmente vazia, o Papa Francisco estava, na verdade, exibindo ao mundo uma praça lotada de amor. Cercado de milhares de sacrifícios de fiéis que, sem dúvida alguma, adorariam estar ali presencialmente, mas que, cada um no seu lar, estavam contribuindo para salvar a vida de alguém. Salvar vidas. Essa é a causa mais nobre para qualquer atitude. Isso é o verdadeiro amor. Afinal, não foi para isso que Cristo veio? Para nos salvar por misericórdia e amor. Não tenho dúvida de que esse ano Cristo estava mais ali, na Praça, graças ao amor e ao sacrifício dos que justamente ali não estavam, do que em anos em que a mesma Praça fica lotada de turistas tirando fotos sem nenhum significado para postar em suas redes sociais.

A Praça de São Pedro, lotada de lugares vazios, abraçou e envolveu com amor o Papa Francisco. E, de lá, o Papa abraçou e devolveu o amor para cada um de nós em nossas casas:

“gostaria de vos confiar a todos ao Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora (…). Desta colunata que abraça Roma e o mundo desça sobre vós, como um abraço consolador, a bênção de Deus. Senhor, abençoa o mundo, dá saúde aos corpos e conforto aos corações!”

Papa Francisco
Papa Francisco reza na Praça de São Pedro vazia. Foto: Reuters

Um novo mundo está em construção (nem que seja pela desconstrução do que tínhamos até então). Podemos – ou melhor, devemos – começar a montar as bases desse novo futuro, até então imprevisível, que está por vir. Mas, isso é tema para outro post mais detalhado. E o farei brevemente. Que a celebração da Páscoa e o exemplo de Jesus – independentemente da sua crença – venham nos lembrar de que esses alicerces devem ser feitos de amor. Por enquanto, basta.

Feliz Páscoa!

Celebração da Via Crúcis na Praça São Pedro.

Fiquem em casa se puderem. Saúde para todos! Vamos juntos – mesmo que fisicamente separados – superar isso tudo! Vamos vencer!

Foto em destaque: Vatican News

Greg

Greg

Carioca, mangueirense, jornalista formado pela ECO-UFRJ.

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