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Parabéns, Rio! Parabéns, Cidade Maravilhosa!

“Vocês podem não ser os mais ricos, podem não ter os melhores serviços, podem passar por muitas dificuldades diárias, mas, se isso depende muito mais de vocês do que de Mim, pelo menos Eu posso dar uma ajudinha…”. E foi, mais ou menos assim, que Deus criou a Cidade MaravilhosaEm toda grande metrópole, o engarrafamento se tornou inevitável. No Rio, é assim também. Mas chega a ser quase uma bênção ficar engarrafado no Elevado do Joá, com aquele mar azulzinho ao seu lado. E na Niemeyer, ou na finada Perimetral, ou na Ponte (vindo de Niterói, é claro!) então? Você passa por ali quase que rezando para o trânsito dar uma paradinha, só para poder apreciar um pouquinho mais da vista e tirar uma foto, admite! Ou você preferia ficar parado na Paulista?

Ser carioca é o estado de espírito de ver o copo meio cheio. O “não-carioca” (nascido no Rio ou fora dele) reclama de viver num lugar absurdamente lindo, mas com tantos problemas… Já o carioca (nascido no Rio ou fora dele) comemora que, mesmo com tantos problemas, tem o privilégio de encará-los em cenário tão único. Não adianta, o nosso coração já se deixou levar pelo Rio que passa em nossas vidas.

E por cenário único, não é só o “seu mar, praia sem fim”. As praias têm sim seu lugar importantíssimo na formação do Rio como uma cidade mais miscigenada que a grande maioria das metrópoles do mundo. Mas, graças aos milhares de fatores históricos e geográficos que todos já falaram sobre, o Rio é o único lugar do mundo em que na quinta-feira o rico vai num restaurante chique e na sexta-feira esse rico toma um chope com o garçom daquele restaurante chique no boteco ao lado. Claro, tudo isso se chamando pelo nome. O Rio de Janeiro é o único lugar em que o rico vai até a casa do pobre apreciar a vista (salve o Vidigal e o Mirante do Santa Marta!), e é o único lugar em que a moda lançada pelo pobre é copiada e tenta ser aprendida pelo rico. Ou seja, o Rio redefine o conceito de pobre e rico. Aqui, graças a esse cenário único, (ainda) não se trata só de dinheiro. O som é de preto e de favelado, mas quando toca, ninguém fica parado, né? O samba, também, “voz do morro sim senhor, é natural do Rio de Janeiro” e leva alegria ao mundo inteiro. Aqui, o rico e o pobre se abraçam no Maracanã e se orgulham de, juntos, fazerem a “festa na favela”.

O Rio tem vocação para a grandiosidade. Nada aqui serve se não for “o maior do mundo”. O estádio é “o maior do mundo”. A “maior torcida do mundo” é daqui (aquele abraço!). “A maior escola de samba do planeta” também, pois “todo mundo te conhece ao longe”, Mangueira! (Salve também a Portela, o Salgueiro, a Estácio e o Império. Salve a Beija de Joãosinho, a revolução de Paulo Barros e também a Mocidade, duas vezes!) Assim como “o maior Carnaval de rua” e a “maior festa de Réveillon” do mundo. E o que enlouquece o resto do mundo é que é tudo verdade, aqui é mesmo tudo maior e melhor! Cara, o que são 2 milhões de pessoas na mesma praia, na mesma hora??? Tem noção disso? Dois milhões! Ninguém faz festa como nós! Ou em vários blocos espalhados pela cidade inteira! Quer mais um exemplo? O Rio de Janeiro é um dos poucos lugares do Brasil em que ainda há setores de torcida mista no estádio em clássicos, sabia? Estamos anos-luz a frente da bárbarie da violência nos estádios em outras metrópoles brasileiras.

A terra de “encantos mil” tem marra porque pode mesmo! Quem nunca puxou o “R” e o “S” com som de “X” quando viajou para outra região do país? Mas também, como o Redentor, recebemos de braços abertos o mundo todo. Pode vir pro “coração do meu Brasil”! Só não pode falar mal, hein? Só quem pode falar dos nossos problemas somos nós mesmos… rs

Rio. A Cidade Maravilhosa que carrega a fórmula da boa vida em seu próprio nome. Afinal, com todos os problemas (e nossas lutas diárias em que devemos nos envolver para melhorá-los!), ao olhar aquele mar azul, parado no trânsito dentro de um ônibus-lotado-e-sem-ar, eu Rio. Porque sei que entre um trabalho e outro, entre um tapume, um tatuzão, uma luta por igualdade e outra por preços justos, mesmo que por meia horinha, em algum dia da semana, vai dar para dar um mergulho lá. Ou vai dar pra fazer aquele churrasquinho na laje ou levar aquele isoporzinho pro meio da rua. Ou fazer uma trilha e tomar banho de cachoeira. Ou mesmo ir “só” a um cinema, a um teatro, a um museu. Fala sério, o Rio tem tudo!

“Pô, mermão… Bota mais carne aí no fogo que eu tô trazendo as cervas. Vamô fazê esse pré-night aí que a ocasião é especial hoje! É aniversário dela, tá ligado? Da Maravilhosa!” Eu Rio. Meu Rio. Nosso Rio. Parabéns! Que venham mais 450 anos, Rio, sempre nesse “doce balanço a caminho do mar”!

Foto em Destaque: Fernando Maia | Riotur

Greg

Greg

Carioca, mangueirense, jornalista formado pela ECO-UFRJ.

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