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Imagem dos aros olímpicos com Tóquio ao fundo durante o dia.

Olimpíadas de Tóquio: 6 histórias (esportivas ou não) para ficar de olho!

Vai começar a Olimpíada de Tóquio! A Cerimônia de Abertura é na próxima sexta-feira de manhã, mas já tem partidas do futebol (e do softbol) desde quarta. Então, no clima olímpico, separei aqui seis histórias (esportivas ou não) que eu sugiro você ficar de olho ao acompanhar os Jogos!

As histórias que você vai ler não estão em ordem de importância. Elas serão:
1 – Novos esportes! Mais chances para o Brasil!
2 – Covid-19 e os Jogos
3 – Tecnologia? Inovações? Sim!
4 – O sub-2h vem aí? E outros recordes…
5 – Refugiados e preocupações globais
6 – Protagonismo feminino

1 – Novos esportes! Mais chances para o Brasil!

As Olimpíadas de Tóquio vão ter cinco novos esportes: beisebol, karatê, escalada, surfe e skate. Para nossa sorte, somos muito favoritos a conquistar medalhas, inclusive de ouro, nesses dois últimos! Para se ter uma ideia, no skate street feminino, as nossas três representantes estão entre as cinco melhores do mundo. Se você não as conhece, já anota os nomes aí: Pâmela Rosa, Letícia Buffoni e Rayssa Leal, a “Fadinha”, que é também a atleta mais jovem da história do Brasil a disputar uma edição de Olimpíada (tem só 13 anos!). No surfe masculino, temos “só” dois campeões mundiais: Ítalo Ferreira e Gabriel Medina.

A meta do Brasil é superar o desempenho na Rio-2016, quando terminou em 13º no quadro de medalhas com 7 ouros, 6 pratas e 6 bronzes (19 ao todo). O Guilherme Costa, um dos jornalistas mais entendidos de esportes olímpicos do país, preparou o ótimo “termômetro das chances de medalhas” do Brasil em Tóquio. Ele projeta que ganharemos uma a mais ao todo (20), mas um ouro menos (6) do que no Rio de Janeiro. Vamos torcer para que a gente supere essa projeção! Você pode conferir a análise completíssima dele aqui.

Italo Ferreira e Gabriel Medina. Foto: Kelly Cestari (WSL)

2 – Covid-19 e os Jogos

Nem pretendo me alongar muito nesse tema, porque todos nós já estamos totalmente imersos nele. Sabemos que serão os Jogos Olímpicos mais diferentes de todos os tempos: praticamente sem torcida nas arenas, atletas pegando as próprias medalhas na hora do pódio (sem aquela autoridade para colocá-las no pescoço), protocolos de testagem antes e durante as disputas, regras para classificação e desclassificação caso um atleta teste positivo (cada esporte terá a sua, de acordo com a modalidade; tem casos em que um atleta derrotado pode avançar de fase se o vencedor testar positivo para Covid depois, por exemplo), distanciamento, etc.

Aqui o meu ponto de destaque para reflexão é outro: o quanto isso vai impactar na Olimpíada? Nas disputas? Favoritos vencerão mais facilmente, sem tanta pressão das arquibancadas? Ou “zebras” aparecerão mais facilmente porque os favoritos terão menos apoio? Algum atleta terá mais vantagem psicológica em se concentrar? Será mais fácil ou mais difícil quebrar um recorde em determinado esporte?

Os mesmos questionamentos valem para outras áreas relacionadas aos Jogos, mas “fora dos campos e quadras”. Sem turistas e sem público nos ginásios e estádios, como será a audiência global das emissoras de tv e sites e serviços de streaming? Mais alta do que a média? Quanto mais alta? E, mais do que nunca, as redes sociais serão o principal ponto de contato do torcedores com os atletas. Como elas reagirão? Explosão de memes vindo aí? Sobre a comunicação como um todo, também vale olharmos… como o $$$ reagirá? Como as marcas vão se posicionar e que campanhas vão fazer nesse contexto pandêmico com torcedores em casa vendo pela tv e consumindo mais do que nunca 2, 3, 4 telas (o Globoplay, por exemplo, vai disponibilizar 45 sinais!)? Como as companhias vão gastar seus dinheiros e onde vão investir? Alguma tendência poderá se acelerar? Enfim, campos e objetos de estudo é o que não vão faltar. Sem dúvida será um enorme case!

3 – Tecnologia? Inovações? Sim!

É claro que devemos esperar Jogos extremamente tecnológicos, você sabe que o Japão é famoso por seu desenvolvimento nessa área. Mas grandes eventos como Olimpíadas, Copas do Mundo, festivais de música, etc., costumam ser vitrines para as empresas lançarem seus produtos mais modernos, suas últimas invenções. Por exemplo: a Copa do Mundo de 94, nos EUA, introduziu o carrinho com maca no futebol.

São esses eventos que costumam dar passos além das tecnologias que nós temos hoje e iluminar um pouco do caminho do que pode estar por vir nas nossas casas e no nosso dia-a-dia. Internet 5G é muito pouco perto de tudo o que estará vindo de Tóquio. Sim, teremos a internet mais rápida do mundo em ação; e robôs, óbvio! Mas também câmeras 8k, realidade aumentada, reconhecimento facial, rastreamento 3D de atletas (o chamado 3DAT), carros elétricos autônomos, inteligência artificial para simular torcidas, enfim… quem quiser se aprofundar um pouco mais no assunto, tem algumas coisas bem interessantes aqui (em português) e aqui (mais completo ainda, mas em inglês).

4 – O sub-2h vem aí? E outros recordes…

Em 2019, o queniano Eliud Kipchoge fez história ao correr pela primeira vez uma maratona abaixo da icônica marca de 2h! O campeão olímpico e mundial fez 1h59min40s. Ele já vinha buscando essa marca e atingiu em uma prova não-oficial, de um patrocinador (o que não diminui em nada o feito absurdo dele!). Mas, agora, quer mais: atingi-la em uma prova oficial e ter o tempo homologado. Com o passar dos anos, Kipchoge, além de correr literalmente contra o tempo na prova, precisa correr contra o envelhecimento. Será que veremos pela primeira vez uma Maratona Olímpica em menos de duas horas? É provável que não… o calor previsto deve atrapalhar bastante. Mas eu ficaria de olho ali no dia 7 de agosto… vai que…

A “Isto É” fez uma lista de sete recordes que podem cair nos Jogos de Tóquio. Um, obviamente, é esse do Kipchoge. Outro que acho importante destacar é o do Salto com Vara. Hoje, o recordista olímpico é o brasileiro Thiago Braz, mas muito provavelmente veremos o sueco Armand Duplantis o superando: o recorde do Braz é 6,03m; o fenômeno da Suécia com só 21 anos já detém o recorde mundial com 6,18m.

Muito provavelmente, Usain Bolt continuará reinando absoluto como o homem mais rápido do mundo com seus 9,58s nos 100m rasos e 19,19s nos 200m, feitos conquistados ainda em 2009. Segundo a World Athletics, quem mais se aproximaram das marcas de Bolt em 2021 foram Trayvon Bromell (EUA) com 9,77s e Noah Lyles (EUA) com 19,74s. Além disso, como falei acima no parágrafo do Kipchoge, o calor deve atrapalhar os corredores em Tóquio (as marcas do Bolt foram conquistadas no Mundial de Belim, na Alemanha).

Eliud Kipchoge comemora a marca sub-2h alcançada. Foto: EPA-EFE

5 – Refugiados e preocupações globais

Nem só de Covid sofre o mundo. Temos, hoje, mais de 26 milhões de refugiados globais… seja por guerras, mudanças climáticas, intolerância religiosa, perseguições étnicas, políticas, enfim. Na Rio-2016, tivemos a primeira delegação de refugiados da História dos Jogos (12, contando as Paralimpíadas). Agora, em Tóquio, o time quase triplicou e será formado por 35 atletas (29 nas Olimpíadas e 6 paralímpicos). O site da ACNUR no Brasil resume bem o que eu penso: “além de promover inclusão e aumentar a coesão social, a prática esportiva possibilita que refugiados possam se desenvolver e contribuir com sua sociedade de acolhida, sendo os Jogos Olímpicos o mais notório exemplo de onde se pode chegar”. As chances são muito remotas, mas não seria incrível que víssemos a primeira medalha de todos os tempos do time de refugiados? Também na ACNUR, você pode conhecer um pouco mais da história de vida de cada um deles (spoiler: tem até judoca refugiado no Brasil! Belo trabalho do Instituto Reação!).

Uma outra preocupação global, claro, são as mudanças climáticas. Cada vez mais, os grandes eventos buscam alternativas e soluções ambientalmente amigáveis e que prezem pelo respeito ao meio-ambiente. Apesar do legado ambiental nulo da Rio-2016 (mais críticas também aqui), algumas atitudes já tinham sido tomadas nesse sentido: prédios com iluminação inteligente, energia solar, captação e aproveitamento da água das chuvas, etc. A mensagem também apareceu forte ao longo dos Jogos, principalmente nas Cerimônias de Abertura e Encerramento. Em Tóquio, a vila olímpica terá camas de papelão, pódio confeccionado com material reciclado, carros elétricos e até as medalhas são feitas com materiais de aparelhos eletrônicos velhos. Caso tenha ficado curioso, aqui tem detalhes (e vídeos!) de todas essas inovações. Tóquio-2020 quer ser a Olimpíada com a menor emissão de CO2 de todos os tempos e também deve dar destaque para a sustentabilidade em vários momentos das próximas semanas. A conferir – e cobrar!

6 – Protagonismo feminino

Felizmente, muita coisa tem mudado no mundo desde a Rio-2016 para hoje no que diz respeito às mulheres. O movimento #MeToo, por exemplo, já tão importante hoje, só começou e ganhou força no final de 2017. Mais recentemente, temos visto outros famosos/pessoas importantes não só perdendo prestígio como sendo punidos de fato por assédio. Infelizmente, o caminho pela frente é longuíssimo e está longe do ideal; os casos de violência contra mulheres aumentaram na pandemia e campanhas como a “em briga de marido e mulher, a gente salva a mulher” ainda são mais do que necessárias. Não menos do que uma justiça que funcione para punir e prevenir que mais casos assim continuem acontecendo. E é claro que o esporte, como parte fundamental da sociedade, está inserido nesse contexto.

Temos hoje a Marta escondendo a logo da fornecedora oficial de material esportivo da Seleção por não concordar com a disparidade salarial e de patrocínios entre mulheres e homens. Temos diversos movimentos, como o “Go Equal”, buscando equiparação financeira, prestígio, tratamento igualitário para atletas mulheres e homens. E, especificamente em Tóquio, teremos mais provas mistas como os revezamentos na natação e no atletismo e a disputa por equipes no judô. Serão os jogos com o maior número de atletas mulheres (49%). Para quem tiver mais interesse, o ge preparou uma matéria em 2017 com esses números bem explicados.

Além dessas questões mais políticas, vivemos um momento único “dentro do campo de jogo” para as mulheres no Jogos: as principais estrelas de Tóquio, as que chegam com mais prestígio, mais despertam interesse por seus resultados esportivos são em grande maioria mulheres. Vivemos o que chamo de “entressafra” no esporte masculino. Usain Bolt e Michael Phelps se aposentaram. Já tivemos Messi e Neymar no futebol olímpico, por exemplo. Rafael Nadal e Roger Federer não jogarão no tênis. Em compensação, entre as mulheres, teremos Simone Biles, Katie Ledecky, Katinka Hosszu, Naomi Osaka, Alysson Felix, Megan Rapinoe, Zhu (capitã da China no vôlei)… isso sem falar nas destaques brasileiras como a própria Marta, Rebeca Andrade, Flávia Saraiva, Duda Amorim (melhor do mundo no handebol), Ana Marcela Cunha, e todo o time do skate citado lá no início (Pamela Rosa, Letícia Bufoni e Rayssa Leal). Certamente estou esquecendo mais nomes internacionais e nacionais aí!

A multicampeã Simone Biles, uma das maiores estrelas dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

É isso! Que você aproveite os Jogos Olímpicos de Tóquio nas próximas madrugadas e manhãs!

Greg

Carioca, mangueirense, jornalista formado pela ECO-UFRJ.

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