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O futebol precisa facilitar os gols

O futebol é um dos poucos esportes no mundo que vem evoluindo para se tornar mais chato do que era antes. E algumas mudanças até relativamente simples podem ajudar a torná-lo mais atraente!

Por mais que alguns poucos comentaristas esportivos amem ver uma retranca bem armada e um jogo decidido em um contra-ataque para exaltar a “aplicação tática defensiva” do time do técnico “tal”, o povo gosta mesmo é de ver gols! 4 a 3, diversas viradas no placar, enfim… bola na rede! E é por isso que o futebol precisa mudar.

Resolvi olhar a estatística de média de gols por jogo do campeonato brasileiro. Desde o início da disputa por pontos corridos, em 2003, há uma clara tendência (bem perceptível, ainda que não muito acentuada) de queda na média.

 

Antes, algumas observações sobre esse gráfico (se quiser seguir lendo só sobre o tema central desse post, pule para o próximo parágrafo):

  • No final dos anos 80 e início dos anos 90, mais precisamente de 87 a 90, tivemos uma queda absurda; seria a explicação para o desempenho ruim da Seleção Brasileira na Copa do Mundo desse ciclo, a de 90?
  • Apesar de em queda, vale ressaltar que a média de gols atual é similar ao observado na segunda metade dos anos 70 e década de 80 (até 87);
  • De 93 ao início dos anos 2000, tivemos uma média muito mais alta de gols, chegando a quase 3 por partida.

Se o gol é o principal atrativo do futebol, o que cativa dos torcedores mais fiéis aos seguidores esporádicos a prestarem (mais) atenção a um jogo, então essa curva histórica me deu algumas pistas de sugestões para os que tem poder de mudar o esporte. Não, ninguém perguntou nada, mas eu vou escrevê-las mesmo assim rs…

  1. Não me parece coincidência que o formato do Brasileirão em mata-mata tenha média de gols maior que o de pontos corridos. As partidas “decisivas”, com times precisando buscar placares, tirar vantagens, etc., tornam o jogo em si mais aberto. E mais emocionante, claro.
  2. A CBF padronizou os campos de futebol com as medidas de Copa do Mundo da FIFA (105m x 68m), apesar da FIFA liberar gramados maiores. Acredito que mais espaço para jogar = mais espaço para passes e dribles = mais difícil para a defesa marcar = mais gols.
  3. Com o avanço da tecnologia, da medicina em geral (e obviamente no esporte), da preparação física, nutrição, etc., temos jogadores mais fortes e resistentes que anos atrás. Mais contato em menos espaço de jogo significa, é claro, menos jogadas e menos gols. Por isso, além do gramado maior, poderiam aumentar o “espaço de jogo no gramado”, como por exemplo limitando o impedimento só da marca do pênalti ou da linha da pequena área para a frente. Polêmico? Sim, mas vale a tentativa…
  4. Se hoje os times podem inscrever um outro time completo no banco de reservas, por que continuar limitando o jogo a 3 substituições? As competições das categorias de base já usam o sistema de 6 substituições, desde que em 3 “paradas no jogo” – e o intervalo não conta como uma dessas paradas.
  5. Além de mais substituições, por que impedir um jogador de voltar para o jogo? Um cara é especialista em falta, por exemplo, pode entrar, cobrá-la e sair de novo (mas o time obviamente pensaria bem a hora de usar um recurso desses, porque gastaria uma substituição e uma das “paradas” de jogo). Mais opções de jogadores especialistas em cada função em campo tendem a melhorar o nível médio da partida como um todo, o que pode melhorar também o número de gols.
  6.  Acréscimos de tempo justos pelo que ficou parado o jogo; estamos cansados de ver partidas com “cera” absurda dos times, com mais de 40% de bola parada, e o juiz dá 2 ou 3 minutos de acréscimos. Não estou nem pedindo os 18 minutos (40% de 45 minutos) de acréscimos, mas se em vez de 2 ou 3 passassem para 8 ou 9, é mais tempo de “jogo jogado”.

Observação bônus, que não tem ligação direta com “melhorar a chance de sair gols em um jogo”: a tecnologia como um todo tem que ser usada (a de linha de gol, o assistente de vídeo para checar pênaltis e impedimentos, etc.). O vôlei e o tênis são exemplos claros de que ela só veio melhorar o jogo e todos se acostumaram ao seu uso, o futebol não pode negar o século XXI e continuar sendo jogado como em 1920.

E aí, o que achou das sugestões? Concorda que o futebol precisa facilitar os gols a acontecerem? Discorda? Tem outras ideias? Deixe seu comentário!

Foto em destaque: autor não identificado

Greg

Greg

Carioca, mangueirense, jornalista formado pela ECO-UFRJ.

One thought to “O futebol precisa facilitar os gols”

  1. Mais do que na hora de providencias, para melhorar não só o campeonato brasileiro, mas, o futebol brasileiro como um todo. Enquanto tivermos o futebol: Confederação, Federações, e até alguns clubes (muitos) comandados por verdadeiras quadrilhas, nada acontecerá, a não ser no interesse desses “quadrilheiros”.

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