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Nike Women Victory Tour: a jornada por trás da prova de 21km

Lá em Janeiro eu recebi uma proposta incrível e inacreditável. A Nike me ligou perguntando se eu queria participar de uma jornada para correr a Nike Women Victory Tour, uma meia maratona só para mulheres e uma das provas mais desejadas pelo publico feminino no mundo.

Não pensei duas vezes. Me joguei de corpo e alma no plano de treinos e fui cumprindo as metas determinadas pela marca. Só que, na empolgação, eu comecei a sentir meu joelho e com uma síndrome da banda ílio tibial – uma inflamação típica de corredor – tive que segurar meus treinos.

Em momento nenhum passou pela minha cabeça a possibilidade de não correr. CÊS TÃO LOKOS? Uma das provas mais incríveis no mundo, acontecendo pela primeira vez no Brasil, no Rio de Janeiro e no percurso olímpico?! O que eu tinha que fazer era correr atrás e reverter a situação. Precisava pelo menos manter meu condicionamento. Lembrei de um amicíssimo que se prontificou a me ajudar e me arrumou um baita treino de natação (Obrigada demais por isso, Pedro!). Enquanto isso dá-lhe ortopedista e fisioterapia.

A imagem mostra uma piscina à esqueda e a autora em uma posição de alongamento com um fisioterapeuta à direita

A Nike Women Victory Tour foi uma prova muito curtida, a que eu mais gostei de fazer até agora de longe, mas também muito sofrida.

O dia 10 de abril amanheceu (DE NOOOVO) fazendo 40 graus na sombra e minha mãe me alertou: não deixa isso te abalar, o que não tem solução solucionado está. Eu ia ter que saber lidar com o calor. Pensando nisso fui apreciando e agradecendo cada pedacinho do caminho.

Consciente dos meus treinos de corrida completamente meia boca nos últimos meses, imprimi um ritmo bem de levinho receosa de sentir dor e de perder o folêgo logo nos primeiros quilômetros. Em termos comparativos, eu senti muito menos dor muscular do que na minha primeira meia maratona. É óbvio: caprichei na musculação, nada de furar, nada de desculpinha, chega de pedir mais cinco minutinhos. E isso teve seu reflexo na minha performance. Com meu pacezinho de tartaruga (7’/km) e, é claro, os treinos de natação, quase não senti o folêgo também.

Fui curtindo até o km 9, quando o joelho fez menção de doer e as pernas começaram a pesar. Essa última é a dor normal da distância, não tem jeito. No km 14 o calor começou a castigar, mas eu não podia DE NOVO me entregar por ali. Esse ia acabar virando meu km crítico, meu calcanhar de aquiles e ia prejudicar muito meu psicológico nas próximas provas, eu tinha que seguir. 15, 16, 17. Passando da praça XV minha mente deu tilte. Minhas pernas pesavam toneladas, parecia que tinha que levantar um trator a cada passada e eu só conseguia calcular o quanto ainda faltava. Candelária. Museu do Amanhã. Presidente Vargas a vida toda e um pouquinho do sambódromo. PELAMORDEDEUS FALTA MUITO.

Diminui, diminui, dimunui e caminhei. O problema foi que quando comecei a caminhar minha pressão caiu e eu achei que fosse desmaiar, andava feito bêbada pela pista, tudo girava. As pessoas passavam gritando pra não parar, pra seguir em frente que estava acabando. Até os oficiais da marinha gritavam palavras de estímulo enquanto eu cambaleava. Estava tão perto, mas tão longe. A hidratação parecia não chegar nunca. Que drama. A partir dai caminhei e corri, caminhei e corri até o final.

Disso tudo o que importa é que eu sei que fui até o meu limite. Tive o apoio dos meus pais, da minha irmã e do Greg em vários pontos do percurso, o que me manteve firme por muito tempo. Fui os últimos 3km com minha irmã e meu namorado correndo comigo e gritando no meu ouvido tudo que eu gritava pra eles nos treinos deles: NÃO PARA! TÁ CHEGANDO! 3 QUILÔMETROS SÃO UM TREININHO DE NADA QUE VOCÊ FAZ NUM DIA QUALQUER! RESPIRA! LEVANTA O JOELHO! Malandros…Aprenderam direitinho!

Cruzei a linha gritando de dor e chorando de felicidade. Não tenho palavras para agradecer a cada pessoa que participou comigo dessa jornada, cada pessoinha que se preocupou, que me ajudou, que me mandou uma mensagem de apoio. Quero e preciso agradecer à Nike, aos pacers e a todo o time que trabalhou duro para nos proporcionar uma das melhores experiências esportivas das nossas vidas.

Cruzando a linha de chegada

Se você tem um corpo, você é um atleta. Chega de pedir mais cinco minutinhos!

Nos vemos pelo asfalto,

Laura
@cincominutinhos

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