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Nem sempre “o cara”, mas “a cara” do Flamengo

Quando Neymar nem pêlos no suvaco tinha ainda, Leonardo Moura já desfilava seu moicano na lateral-direita do Flamengo e fazia com que seis em cada dez crianças do Rio de Janeiro quisessem imitar o penteado. O moicano se tornaria febre nos gramados e estádios brasileiros.

Após dez anos e 519 jogos, o agora só “Léo” Moura se despede do rubro-negro com uma certeza: cumpriu muito bem a sua missão e entrou para a galeria de ídolos do clube. Ao longo de todo esse tempo nem sempre Léo Moura foi “o cara” do time, mas sempre foi “a cara”.

Léo Moura chegou ao Famengo em 2005, com o clube brigando para não ser rebaixado. O Flamengo não só escapou de cair para a Série B naquele ano, como iniciou, a partir de então, um período extremamente vitorioso. Sempre com Leonardo Moura na lateral-direita, o Flamengo conquistou duas Copas do Brasil, um Brasileiro (que não vencia há 17 anos) e cinco campeonatos cariocas. Bateu na trave duas vezes na Libertadores, em que tinha reais condições de vencer (2008 e 2010). De um clube desacreditado nacionalmente, voltou a figurar entre os grandes e tornou-se hegemônico no Rio de Janeiro. Sempre com Léo Moura na lateral. Ou seja, ele foi um dos pilares da reconstrução do Flamengo, foi “a cara” do clube nesse período importante de sua História. Léo Moura “pegou” um Flamengo em 2005 e “entregou” outro em 2015, infinitamente maior.

Durante muitos anos, o rubro-negro que ía ao Maracanã tinha só duas certezas na vida: de que um dia todos vamos morrer e de que o Léo Moura ia cortar para o meio e driblar o adversário. O moicano da camisa 2 foi uma excelente válvula de escape para o time ao longo de todos esses anos, seja com a companhia de Juan, nos excelentes anos de 2006 a 2008, ou com Éverton em 2009, ou soberano a partir de 2010. Leonardo Moura teve seus brilhos especiais, mas, foi, sobretudo, a base e um coadjuvante de muita importância para Brunos, Obinas, Pets, Adrianos e Ronaldinhos brilharem. Todos esses passaram pelo clube e, em comum, só uma coisa: Léo Moura na lateral-direita, jogando em muito bom nível.

A verdade é que o agora ex-jogador do Flamengo foi durante todo esse tempo um dos melhores em sua posição no país. Mesmo hoje, quando deixa o clube, teria vaga de titular fácil em provavelmente 16 ou 17 times da Série A do Brasileirão. No entanto, por respeito ao clube, decidiu ir para os EUA.

Normalmente, quando estamos diante da História sendo feita, demoramos a perceber que a estamos vivenciando. Em cada um dos 519 jogos do Léo Moura, ele foi escrevendo, aos poucos, sua trajetória vitoriosa que se confunde com as vitórias do próprio Flamengo. Tenho a impressão de que a torcida rubro-negra só vai perceber a real importância de Léo Moura ter jogado esse tempo todo no clube daqui a uns 15 ou 20 anos, quando for contar para os filhos e aos netos sobre esse período da História rubro-negra. Vai na paz, Léo Moura! Obrigado por sua dedicação, dribles, gols e, principalmente, obrigado por mudar o Flamengo de patamar e devolvê-lo ao seu lugar de direito.

Greg

Carioca, mangueirense, jornalista formado pela ECO-UFRJ.

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