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Motivos para ir à World Press Photo 2015!

Nesta semana, fui à World Press Photo 2015. Para quem não conhece, uma rápida explicação: a World Press Photo é uma organização sem fins lucrativos que anualmente promove o prêmio mais importante do fotojornalismo mundial. As fotografias são divididas em diversas categorias e exploram vários temas, como política, meio-ambiente e até esportes. Todo ano, há a exposição com as fotos vencedoras de cada categoria. Resolvi dividir um pouco com vocês das minhas impressões na visita:

A foto vencedora de 2015 é a “Jon e Alex”, do dinamarquês Mads Nissen, que mostra um casal gay na Rússia. E ela reflete bem como a questão dos gêneros foi uma das principais tônicas da World Press Photo esse ano na categoria “Comtemporary Issues”. O terceiro lugar, do italiano Fulvio Bulgani, também toca no assunto, retratando uma transsexual na Indonésia. Mais contemporâneo do que chamar atenção para as questões de gênero impossível, não é mesmo? Curiosamente, eu gostei mais da foto que ficou em segundo lugar, do chinês Ronghui Chen, e que mostra um tema completamente diferente: Wei, um trabalhador em uma fábrica em Yiwu, região na China que produz aproximadamente 60% de toda a decoração natalina do mundo. Os trabalhadores são explorados (12 horas por dia com salário de no máximo 400 euros) e Wei não faz ideia do que seja o Natal.

Foto: Ronghui Chen | Segundo lugar em "Comteporary Issues"
Wei, em “Christmas Factory”. Foto: Ronghui Chen | “Comteporary Issues”

Aliás, a World Press Photo me fez refletir muito sobre o mundo e o “custo de vida” do Ocidente. A relação do Ocidente com o Oriente (Ásia) e outras áreas marginais da cultura ocidental (por marginal, entenda como na margem física/social mesmo, não no sentido pejorativo da palavra), como a África e o Leste Europeu. É impressionante a realidade retratada em diversas categorias. São problemas étnicos, ambientais, desigualdades sociais profundas, pobreza extrema, guerras. É claro que não é tudo “culpa do modo de vida ocidental”, mas até que ponto ter que produzir para sustentar o Ocidente causa isso ao resto do mundo? E mais: será que o Ocidente está mesmo se esforçando em sair de seu conforto para tentar ajudar a mudar essa triste realidade nas outras áreas do globo? A discussão não é nova, eu sei… mas ao ver aquela realidade retratada ali, daquela forma, mais uma vez, funciona como um soco no estômago para sairmos sempre das nossas bolhas.

Devaneios à parte, a World Press Photo escancara esse mundo desigual dos dias atuais. Esse mundo dinâmico. Multicultural. Esse mundo de choques em que vivemos hoje. Choques entre pessoas, entre culturas, entre vidas. E, ao mesmo tempo, mostra que somos todos… mundo; que ainda há algo que nos une. Há protestos por todos os lados, em que mudam os locais, os nomes e até mesmo as bandeiras defendidas, mas repetem-se os roteiros: manifestantes com esperança de mudar algo; pessoas em protestos sendo agredidas, mortas, uso excessivo de força policial, etc. Há perdão, como na sequência de fotos do iraniano Arash Khamooshi, em que a mãe de uma vítima perdoa o assassino de seu filho na hora em que ele vai ser executado – até os policiais estão chorando (um dos trabalhos que mais me marcou em toda a exposição, a sequência ficou em terceiro lugar na sua categoria). Há graves problemas ambientais, nos lembrando que se o planeta for para o espaço, vamos todos juntos para o buraco. Há imigrantes, fugindo, sendo acolhidos, nos lembrando da eterna busca por nossos sonhos. Há o Ebola, nos chocando pela tragédia, nos lembrando de não esquecer dos mais necessitados. Há o esporte, capaz de unir o mundo todo por algum breve momento.

Enfim, a World Press Photo choca. Mostra o horror. Mas, com um pouco mais de sensibilidade, mostra também o caminho a ser seguido. A solução é difícil, não é final, mas constante. Passa por olhar o que nos une, não o que nos afasta. A compaixão, a luta pela paz, pela igualdade, pelo meio-ambiente, pelas minorias, é diária e eterna. E precisa ser documentada por fotografias anualmente para que não caiamos no conforto de nos dar ao luxo de nos esquecermos dela – e dos horrores a serem combatidos com ela. Vá à World Press Photo 2015!

Caso você tenha interesse, são os últimos dias para visitar a exposição no Rio de Janeiro (pelo que diz o site, o único lugar no Brasil a recebê-la). A mostra vai só até o próximo domingo (21/06), na Caixa Cultural, ao lado do metrô da Carioca. É moleza de chegar! A Caixa Cultural funciona de terça a domingo, das 10h às 21h. Mas, caso não consiga ir, não fique chateado! Todas as fotos e as informações estão disponíveis no ótimo site da WPP.

Em tempo: Não sou fotógrafo. Por mais que tenha feito uma faculdade de Comunicação, meus conhecimentos fotográficos são pequenos. Portanto, encare esse post como observações de um leigo sobre as fotos. Não estou aqui para discutir a técnica utilizada, etc., pelo simples motivo de não ter gabarito para tal. 

Foto em Destaque: “Jon e Alex” | Mads Nissen (Dinamarca) | Site Oficial World Press Photo 2015

Greg

Greg

Carioca, mangueirense, jornalista formado pela ECO-UFRJ.

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