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Maracanã lotado com a torcida do Flamengo

Maracanã 70 anos: mística e intensidade

Amo o Rio, isso não é novidade. Quando me pedem para dizer o lugar que eu mais gosto do Rio, aí bate uma dúvida absurda… mas em todas as minhas listas, o Maracanã está entre eles.

Não posso dizer que o Maracanã é o lugar onde eu fui MAIS feliz. Apesar de que talvez tenha sido. Algumas das maiores alegrias que o futebol me deu, curiosamente, não foram no Maracanã. Mas quase todas foram.

É difícil comparar experiências, níveis de felicidade. É difícil comparar com a tranquilidade de uma ida à praia, com a sensação de correr ao ar livre num fim de tarde pela orla da cidade, com os encontros e desencontros pelos bares, restaurantes e cinemas cariocas. E também com diversos outros eventos particulares que obviamente não ocorreram no estádio (quando passei no vestibular que queria, um desfile do Carnaval, o lançamento de um Harry Potter, a estreia de um filme histórico, a visita do Papa, coisas do tipo – quem tem filho provavelmente deve pensar no nascimento do filho também, e por aí vai, etc.).

O que eu não tenho dúvida é que, de todos os lugares, é no Maracanã onde eu pude vivenciar a INTENSIDADE. A intensidade de viver, foi lá onde eu mais experimentei. Não tem um lugar no mundo em que eu não tenha derramado mais gotas de suor, mais lágrimas – a maioria de alegria, algumas de tristeza – aberto mais sorrisos, proferido palavras ao ar, cantado, vaiado, pulado e abraçado tanta gente – conhecidos e desconhecidos – como no Maraca. Seja no velho “Maior do Mundo”, no novo Maracanã ou no novíssimo, aquele espaço representa pra mim um templo de experiências e sentimentos.

O Maracanã me fascina pela mística… ao entrar naquele templo, entra-se numa dimensão própria. Eu vi muuuitos gols, troféus, shows, Olimpíadas… o Maraca recorda que a vida é pra se encontrar. Pra se abraçar. Que a vida é pra ser vivida intensamente, pra se emocionar. Para festejar. Que a cidade tem que ser de encontros. De pobres com ricos, de pretos com brancos, de gays com héteros, de homens com mulheres, de adversários que não são inimigos… o Maracanã me recorda constantemente de que é possível ter “festa na favela”, que mesmo com nossas mazelas podemos sorrir, mesmo que de forma fugaz.

O Maracanã é, acima de tudo, um templo à Esperança. De que pode dar certo. Mesmo que depois, às vezes, não dê.

Esperança também em algo grande. Uma grande vitória, uma grande exibição, um grande show. Algo mágico pode acontecer ali, inclusive nada. Por algumas horas, entra-se num universo próprio. Cadeirante fica em pé, banguela sorri, direitista abraça esquerdista… eu juro que já vi! Só ao sair dali a vida “normal” volta. Em tempos como os de hoje, nunca precisamos tanto dessa mística. Dessa esperança. O “normal” já era!

O Maracanã moldou uma parte importantíssima de quem eu sou. E me deu amigos. Obrigado por tudo, Maracanã. Feliz 70 anos! Que venham muitos mais! Seja no setor 40, na escadinha do 224 ou em algum outro canto porque o ingresso é numerado ou tava esgotado. Sempre estarei contigo!

Foto em destaque: Marcelo Cortes | Gazeta

Greg

Greg

Carioca, mangueirense, jornalista formado pela ECO-UFRJ.

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