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Como explicar o Flamengo em 2015?

Seis vitórias em seis jogos. Sete derrotas nas outras oito partidas seguintes. Esse é o retrospecto recente do Flamengo no Brasileirão. Como explicar essa mudança brutal no aproveitamento do rubro-negro?!

A verdade é que é inexplicável. Mas cabe, aqui, tentar pensar em alguns motivos. Se os jogadores não mudaram tanto, com pouquíssimas e insignificantes trocas por lesões, o que poderia ter acontecido?

1) Assim como os jogadores não mudaram muito, o esquema de jogo também não. Ao ganhar seis jogos seguidos, o Flamengo ficou “visado”, fácil de ser marcado. Faltou ao técnico Oswaldo de Oliveira a capacidade de reinventar o time.

2) A queda de rendimento de Alan Patrick no meio-campo. Não que seja um gênio da bola, mas estava destoando positivamente nos seis jogos vitoriosos. Caiu de produção (junto com todo o time, é verdade) e agora está afastado por causa da tal “festinha” que participou.

3) Guerrero pressionado, lesionado e isolado. Quando chegou, Paolo Guerrero tratou logo de “acabar com o caô” e saiu fazendo gols atrás de gols. No entanto, o atacante se lesionou e depois voltou a jogar com infiltrações. Será que ele está realmente 100% recuperado? Soma-se a isso a pressão (dele próprio, da imprensa e da torcida) que aumenta a cada jogo sem marcar e o esquema de Oswaldo, que o coloca totalmente isolado lá na frente do campo e muitas vezes fazendo a função de pivô.

4) Falta de comprometimento ou grupo rachado. Essa semana explodiu o caso da “festinha” que acabou no afastamento de Pará, Alan Patrick, Paulinho, Marcelo Cirino e Everton. Achei a punição exagerada, mas a tal “festa” parece ter repercutido mal no elenco. Além disso, será que essas “festas” já não vinham acontecendo há mais tempo e só agora a imprensa (e a torcida) teve conhecimento de uma?

4.2) Especula-se Muricy Ramalho no Flamengo para 2016 com a (falsa) alegação de “cobrar mais dos jogadores”, “acabar com a bagunça”, “aumentar o comprometimento”. A meu ver, um tiro no pé do rubro-negro. Muricy e seu estilo “defensivo” (para ser eufemista) de jogar não combinam em nada com o clube da Gávea. Duvido que a torcida tenha paciência, mesmo que vitórias (magras) se acumulem. O Flamengo precisa criar e seguir um “estilo de jogo próprio”, uma “escola de futebol”, que seja quase que independente das peças que ali estiverem trabalhando. Por toda sua vocação histórica, esse “estilo de jogo rubro-negro” passa longe de ser “jogar por uma bola”, mas sim ser ofensivo e buscar controlar as ações da partida. Cuca é um nome muito melhor para a função.

4.3) Se falta “cobrar mais dos jogadores”, o problema está mais em cima na cadeia de comando. Leia-se: Rodrigo Caetano. É papel do diretor-executivo de futebol cobrar esse empenho e fiscalizar o grupo. Não é só a montagem do elenco, mas também gerenciá-lo ao longo da temporada. Se for para mudar alguém (ou “alguéns”) , acredito que a mudança deveria começar a partir desse ponto na cadeia de comando. Daí para baixo, ou para cima também, mas a partir desse cargo, que tem a função justamente de ser o elo diretoria-jogadores.

5) Elenco sem líderes. Falta aquele cara para chamar a responsabilidade tanto dentro quanto fora de campo. Wallace é um dos poucos que coloca a cara em entrevistas, conversas com torcedores, etc. Mas, apesar de ser o capitão, esteve em má fase técnica, não “resolveu em campo” como em 2013. Outro possível líder, Paulo Victor, que viveu ótima fase em 2014, já voltou a ser o PV de sempre, irregular. E Emerson Sheik é constantemente suspenso (seja pelo STJD ou pelo excesso de cartões).

Afinal, quais desses pontos explicam o Flamengo em 2015? Todos? Só alguns? Faltou outro? O debate está aberto nos comentários!

Foto em Destaque: Gilvan de Souza | Flamengo

Greg

Carioca, mangueirense, jornalista formado pela ECO-UFRJ.

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