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Regina Duarte bate continência durante discurso

Como chegamos tão baixo?

Esse texto não é para ninguém especificamente. Mas para pessoas que formam um grupo com um pensamento em comum. Pode ser um desabafo pra avó do zap, que canta “pra frente Brasil”. Vamos chamar essa pessoa de Regina Duarte. Mas pode ser Pugliesi. Pra amiga que dá uma festa durante o isolamento social e diz “foda-se a vida”. Ou pro tiozão do churrasco. Pode ter o nome de Biroliro, então. Ou Jair. Ou Osmar, ou Hang. Enfim…

COMO CHEGAMOS TÃO BAIXO?

Em que momento se tornou “ok” dizer que “Foda-se a vida”? Em que parte da História erramos, como Humanidade, em que agora uma secretária de cultura, área que perde ícones atrás de ícones para a pandemia do novo coronavírus, canta e ri e diz as seguintes atrocidades:

“Na humanidade, não para de morrer. Se você fala vida, do lado tem morte. Por que as pessoas ‘óóó’… por quê? (…) Sempre houve tortura.”

Regina Duarte em entrevista à CNN Brasil.

No dia em que o país se aproxima dos 10 mil mortos oficiais, o presidente vem dizer que vai “fazer um churrasco”? É sério isso? Vou repetir: D-E-Z M-I-L MORTOS. Em torno de 600 em um dia. Seiscentos. Isso pelos números oficiais de um ministério da Saúde incapaz de fazer a quantidade de testes necessária para maior precisão do tamanho da pandemia no país.

Como dizer pra quem perdeu um parente querido, uma mãe, um avô, um filho, uma irmã esperando por um leito, que vocês simplesmente não estão nem aí?

É muito baixo, egoísta, desumano, perverso, genocida*, ter essas atitudes diante dos mortos e dos profissionais essenciais que seguem arriscando suas vidas para salvar outras durante a pandemia. Médicos, enfermeiros, todo tipo de profissionais da saúde, jornalistas, funcionários de mercados e farmácias, dentre outros. Muitos também adoeceram e morreram. E daí? Não somos coveiros? Foda-se? Pra frente Brasil? É isso mesmo que nos tornamos?

Essa nação gerida sem vergonha nenhuma de afirmar em rede nacional que é indiferente ao outro, ao sofrimento alheio?

“Não quero arrastar um cemitério de mortos nas minhas costas.”

Regina Duarte

Vocês já estão.

Estão fazendo um churrasco com marchinhas dos anos 70 no alto falante do carro que chegou da passeata, acampando no quintal com barracas azuis todas compradas na mesma loja, com carnes dos frigoríficos instalados ao lado dos hospitais de várias capitais do país. A bebida? O que restar de uma bacia cheia de sangue dos que lavam as mãos nesse momento, como disse Duarte (não a Regina, mas o Lima).

E não adianta dizer que “vai passar”. É hora de acordarmos! Nos movimentarmos por todos os meios legais! A sociedade civil precisa achar um mínimo denominador comum razoável. Algo que nos tire desse pântano de baixezas em que nos metemos com esse grupo que está aí. A Covid-19 está passando… mas como uma tsunami, um furacão, um trator daqueles que revira e joga areia – e, no nosso caso, merda – pra tudo quanto é lado. Cada dia que passa são mais 600 famílias destruídas. Seiscentas novas famílias chorando e sendo ignoradas por esse grupo de pessoas. É hora da gente pressionar e muito e dizer: CHEGA de Reginas ou Hangs ou Salles. BASTA de Pugliesis, ou Jaires. FORA. Pra ontem.

*Genocídio: subst masc 1. extermínio deliberado, parcial ou total, de uma comunidade 2. destruição de populações ou povos 3. aniquilamento de grupos humanos, o qual, sem chegar ao assassínio em massa, inclui outras formas de extermínio, como (…) a submissão a condições insuportáveis de vida etc.

Greg

Greg

Carioca, mangueirense, jornalista formado pela ECO-UFRJ.

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