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Como Big Little Lies me conquistou

Com grande elenco, suspense, muito drama e um toque de comédia, Big Little Lies ou Pequenas Grandes Mentiras, me conquistou. Confesso que nosso romance demorou a engatar e o livro da escritora australiana Liane Moriarty – no qual a série é baseada – ficou quase um ano na minha prateleira. Quando finalmente comecei a ler, não demorei muito para terminar.

Da mesma forma que a produção para televisão, o livro te envolve e consegue te transportar para o mundo daquelas três mulheres que têm uma vida aparentemente perfeita e filhos que frequentam a mesma escola. Depois de ler o livro, não sabia que a série seria produzida. Para minha sorte, logo em seguida descobri que seria lançada pela HBO. E obrigada, HBO!

Existem pequenas diferenças entre o livro e a série, é verdade, mas de forma geral a história é bastante fiel à obra da autora australiana. Enquanto no livro a trama acontece em Pirriwee, uma península fictícia da Austrália, a série é ambientada em Monterey, na Califórnia. Não conheço e nem sei como são as praias na Oceania, mas as imagens e as cenas filmadas nos Estados Unidos são belíssimas. E definitivamente este é um ponto alto da produção para TV.

Na série, as amigas são interpretadas por Nicole Kidman, Reese Witherspoon e Shailene Woodle (que foi protagonista dos filmes da trilogia Divergente). Em minhas pesquisas para escrever este texto, acabei descobrindo que Nicole e Reese não apenas estrelam a série como também foram as produtoras da Big Little Lies. E parece que essa combinação deu certo, tanto que as duas acabaram de comprar os direitos de uma segunda obra da autora australiana (Truly Madly Guilty, ainda sem tradução no Brasil) para uma nova adaptação cinematográfica.

Resumindo e sem dar spoilers: Reese Witherspoon é Madelaine, uma mulher determinada e espontânea, que precisa lidar com seu ex-marido e sua atual esposa; Nicole Kidman dá vida a Celeste, mãe de gêmeos que aparentemente tem o casamento perfeito; e Shailene Woodley é Jane, uma mãe solteira com passado misterioso. As três se tornam inseparáveis quando o filho de Jane, que se mudou recentemente para a cidade, é acusado de praticar bullying no colégio. A partir daí a história se desenrola e conta aos poucos os dramas que essas mulheres vivem. Como todo e qualquer bom suspense, os mistérios e os questionamentos que surgem ao longo da série são desvendados apenas no último episódio. (Ainda bem que são só 7!).

Todos sabem que Reesse Whitherspoon e Nicole Kidman são grandes e premiadas atrizes, mas neste trabalho as duas deram um salto de qualidade em suas atuações. Quem ler o livro antes de assistir (recomendo fortemente) à série vai me entender quando digo que: Reese é a Madeleine e Madeleine é a Reese. Difícil explicar com palavras essa semelhança, mas sua atuação é tão perfeita que as duas se tornam uma só. Celeste não tem uma vida em casa muito fácil, e para um grande drama é necessário uma grande atriz. Além de dar um show à parte, Nicole está simplesmente deslumbrante. Vale destacar que a série conta com outros atores que também mandam muito bem. (Dá um Google aí: Laura Derm, Zoe Kravitz, Adam Scott, Alexander Skarsgard e James Tupper).

Já que estamos falando de atuação… O QUE SÃO AQUELAS CRIANÇAS? Fiquei apaixonada por todas elas. Destaque para Iain Armitage e Darby Camp, os intérpretes de Ziggy e Chloe. A filha de Madeleine, Chloe, é uma graça e em alguns momentos se torna a DJ da série, além de ser super inteligente e charmosa. Outro ponto alto definitivamente é a trilha sonora. A canção de abertura fica por conta de Michael Kiwanukatraz com Cold Little Heart. Nomes como Elvis Presley, Rolling Stones, Alabama Shakes, Charles Bradley, Otis Redding e Fleetwood Mac também completam o time estrelado de bandas e cantores que nos acompanham nessa produção incrível. Dica: tem a playlist completa no Spotify! Outra descoberta feita durante as pesquisas para o texto. Depois de tantos elogios ao elenco e produção, fica bem claro que esses são as características marcantes dessa série.

Confesso que os primeiros episódios são um pouco arrastados e conforme os mistérios vão surgindo a trama fica mais interessante. Vi alguns sites comparando a Desperate Housewives. Honestamente, acho um exagero. Algumas semelhanças como esposas e filhos existem, mas param por aí. O mais interessante é a forma como o lado feminino e a mulher moderna – que trabalha e ainda cuida de todas as tarefas da casa – são retratados. As inseguranças e o medo de uma mãe solteira, os erros que uma mãe pode cometer e se arrepender e como os filhos se espelham diretamente com o que veem em casa. Cada personagem deixa uma mensagem diferente para nos fazer refletir. As dificuldades de romper com algumas situações e recomeçar e de superar traumas. Também me fez pensar sobre como estamos presos a estereótipos que no fim não representam 1% do que cada um verdadeiramente é. E acima de tudo: mulheres devem sempre estar unidas.

Como vocês puderam observar, gostei bastante da série e saí recomendando para todos. Para a minha tristeza, o diretor e produtor executivo, Jean-Marc Vallée, em entrevista a Vulture, avisou que não terá segunda temporada. O que na realidade faz todo o sentido, já que a série termina exatamente como o livro. Uma pena! Assistir a mais um pouquinho de Reese e Nicole e essas crianças não seria nada mal. Agora é a vez de vocês, assistam e tirem suas próprias conclusões!

Foto em Destaque: Adoro Cinema

* Esse é o texto de estreia da Gabriela Pantaleão no blog! No futuro, para navegar pelos textos dela, basta clicar no nome em “autor”.

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