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Bandeira reeleito presidente do Flamengo

Neste dia 07/12/2015, Eduardo Bandeira de Mello foi reeleito presidente do Flamengo. Ele vai comandar o clube nos próximos três anos. Resolvi fazer a “análise final” das eleições do rubro-negro carioca.

Primeiro, uma rápida observação: discordo do modelo de mandatos de três anos de duração. Defendo que deveriam ser de quatro anos. Da forma como é hoje, acredito que o eleito passa só um ano de fato governando, o segundo do mandato. O presidente eleito passa o primeiro ano “tomando pé da situação” e “arrumando a casa com a sua cara”, herdando um planejamento feito por outra equipe. No terceiro e último ano do mandato, já começam desde cedo as “turbulências internas” por causa das eleições no fim do ano, que dificultam todo o trabalho.

Dito isso, resolvi fazer a análise das eleições deste ano em tópicos:

– Wallim Vasconcellos (e os demais ex-integrantes da Chapa Azul que foram para a Chapa Verde) não conseguiu emplacar uma linha de discurso. Para os sócios, ele não ocupou nem o papel de “oposição”, nem o de “situação”. Pior: a Chapa Verde acabou não angariando os votos como “o time que virou o jogo”, mas acabou ligada aos pontos que foram vistos como “ruins” na Chapa Azul no primeiro mandato. Por exemplo: como Wallim podia criticar o futebol do clube, se os integrantes de sua chapa estavam lá até poucos meses? E ainda: a Chapa Verde passou a ser contra a Arena McFla, mas seus integrantes, quando no governo, lutavam por ela. A chapa defendia se fazer representar na Federação de Futebol do Rio, mas quando no governo, o Flamengo rompeu oficialmente com a FERJ. Em resumo: a Chapa Verde acabou não conseguindo “encontrar sua função”, sua “posição” no jogo político-eleitoral rubro-negro. Nem mesmo o voto declarado de Zico ajudou, já que os sócios sabem que o Galinho jamais jogaria contra o clube mesmo que a chapa que ele apoiasse saísse derrotada, como saiu. Nesse cenário, os 30% de votos conquistados soaram justos.

Se a Chapa Verde não encontrou sua “posição”, o mesmo não pode ser dito da Chapa Branca de Cacau Cotta. Diferentemente da Chapa Verde, que tinha integrantes que fizeram parte do governo por dois anos e meio, Cacau Cotta podia se apresentar como uma “oposição verdadeira”. Essa foi, de fato, sua linha adotada em debates, ao dizer que Bandeira e Wallim tinham o “mesmo DNA”. Cacau também assumiu importante posição no pleito ao fazer uma campanha limpa, sem o tom de ataques pesados (e até alguns mais baixos) da Chapa Verde (e, posteriormente, respondidos pela Chapa Azul), e chamando atenção para tópicos importantes “esquecidos” pelos outros dois concorrentes. Destaco, aqui, o preço dos ingressos nos jogos do Flamengo e as distorções no programa de sócio-torcedor (comparando com a distribuição da torcida pelo Brasil, há poucos sócios fora do Rio). O problema de Cacau é que se Cacau fez diagnósticos bons, suas propostas soaram “impagáveis”, na cabeça dos sócios uma espécie de “volta ao Flamengo das dívidas”. Cacau conquistou pouco mais de 9% dos votos.

– Bandeira de Mello foi reeleito com 60% dos votos principalmente por um fator: coerência. Se para os sócios isso pareceu faltar aos integrantes da Chapa Verde, no caso de Bandeira e da campanha da Chapa Azul foi exatamente a coerência com as propostas originais de 2012 que fez com que se alcançasse a expressiva votação. Mesmo que uma parte do(s) grupo(s) ao lado de Bandeira não fossem “os originais” (sobretudo os vice-presidentes, agora na Chapa Verde, já que os mesmos grupos políticos – SóFla, FAT – estavam sim com a Chapa Azul), os ideais defendidos permaneceram os mesmos. Desde manter a política de austeridade fiscal (mas agora com mais dinheiro em caixa do que em 2013, o que permite maiores investimentos no futebol), até continuar defendendo a Arena McFla ou o racha com a Federação de Futebol do Rio, a Chapa Azul soube prometer e parecer garantir a continuidade de um Flamengo que vem dando certo. Sim, por mais que os resultados do futebol ainda estejam aquém do que a torcida rubro-negra deseja, é inegável que o Flamengo de 2013 a 2015 deu certo. E a Chapa Azul ainda soube, pelo menos no discurso, reconhecer os erros e prometer melhorias (Muricy vem aí. Vai funcionar? É boa escolha? Tema para outro post!). Um outro detalhe favorável ao Eduardo Bandeira de Mello é sua personalidade. Seu perfil é visto pelos torcedores como muito mais próximo do ideal de presidente para o clube do que o perfil mais “arrojado” de Wallim.

Um Flamengo forte faz o futebol brasileiro como um todo mais forte por puxar diversas cifras e mercados para cima! O rubro-negro está mais estruturado e rico do que em 2013. Mas até por isso Bandeira vai enfrentar mais impaciência da torcida nesses próximos três anos em relação aos três primeiros, não há dúvidas! Boa sorte ao presidente reeleito Eduardo Bandeira de Mello!

Foto em Destaque: Sem Crédito | Site Oficial do Flamengo

Greg

Carioca, mangueirense, jornalista formado pela ECO-UFRJ.

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